Crítica: você já falou “Cuba” na internet? Veja Cuba and the Cameraman!

O documentário Cuba and the Cameraman é o trabalho da vida de Jon Albert. Cinegrafista novaiorquino que passou 40 anos viajando a Cuba para colher material em vídeo. Não é a visão de alguém que não conhece a realidade do lugar. Não é um conteúdo alarmista de rede social. Pelo contrário, é muito “pé no chão”. Conta a história de várias pessoas que Jon conheceu, ao longo dessas quatro décadas. A cada viagem, ele descobria como viviam e o que havia mudado por lá. Lançado em 24 de novembro deste ano, está disponível na Netflix. É um documentário lindo, para quem ainda enxerga a alma humana. Dá para ver o tempo passar na qualidade da imagem, na deterioração dos prédios e no rosto das pessoas.




Os homens mais loucos que já pisaram na Terra sonharam com um mundo igualitário, onde todos pudessem ter o mínimo para viver. Não podemos condená-los, não é mesmo? Esse sonho vem sendo reciclado por sociedades ao longo da história. Quantas revoluções pediram igualdade? Os povos que chegaram mais próximo desse ideal foram os escandinavos. Mas muitos outros fracassaram no caminho. A Revolução Cubana era um projeto de igualdade social através da tomada do poder por um grupo.

No início, a revolução era financiada pela União Soviética, que precisava do apoio da ilha para manter uma base próxima dos Estados Unidos. Foi um plano ousado. Muitos prédios residenciais foram erguidos e distribuídos para a população sem-teto. As lojas do governo tinham de tudo com variedade. Mas após a queda do muro de Berlim, tudo mudou. O fim da URSS acabou com o financiamento e, com o bloqueio comercial, econômico e financeiro (iniciado em 1960) pelos EUA, principal parceiro comercial de Cuba, o país viu-se pobre e desabastecido. Um rígido racionamento de produtos foi imposto. Cada pessoa tinha um limite de quantidade a ser comprada de cada produto. No documentário, Jon mostra uma padaria que só pode vender um pão por pessoa a cada dia. No entanto, em nenhum momento, os serviços sociais deixaram de ser gratuitos à população.

Uma coisa que assusta nas imagens é a falta de higiene. Para quem compra comida embalada no supermercado, industrializada sem contato manual, com data de validade, é chocante ver aquelas porções de arroz embrulhados em papel pardo. Nos hospitais, luvas sendo reutilizadas e escassez de remédios básicos.

A pobreza dá origem ao crime, ao mercado negro e ao turismo. Os estrangeiros pagavam caro para ver as mulheres dançarem, para fumar charutos e beber rum. A eles tudo e ao povo cubano nada. O regime, diante da desordem instalada, torna-se mais rígido, com repressão às manifestações contrárias à revolução. O plano havia falhado, mas sonho de igualdade continuará vivo, enquanto houver vida humana na Terra.

Quando a gente amadurece, aprende a analisar os fatos com olhos menos duais. No mundo infantil só existe o bem e o mal, o certo e o errado, sem nada no meio deles. A visão adulta consegue ver mais graus entre um extremo e outro. O que vemos nas redes sociais hoje é um bando de crianças discutindo coisas como bolacha x biscoito, esquerda x direita, norte x sul. Espero sinceramente que o trabalho da vida de Jon invada as salas de aulas e seja visto por toda parte, para levar ponderação àqueles que ainda não estão irrevogavelmente emburrecidos pelo radicalismo.




 

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Por Larissa Rodrigues: desenhista do @be.my.type, internacionalista e mestranda de Relações Internacionais da UEPB. Adora falar de política, espiritualidade e coisinhas que amenizam nossa experiência de vida: filmes, moda, viagens e comida!!!

 

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Crítica: o documentário “Gaga: Five Foot Two” e a verdade sobre Lady Gaga

Larissa Rodrigues*

 

Um dia li que a próxima revolução seria feminista. Não entendi bem como isso seria na prática. Ultimamente, vendo a força das mulheres tomando proporções inimagináveis, fica claro: não há mais espaço para desigualdade. O documentário Gaga: Five Foot Two, sobre a preparação de Lady Gaga para sua apresentação no Super Bowl, mostra uma mulher que já chocou o mundo com sua aparência, mas agora mostra algo ainda mais escandaloso: sua ousadia em ser quem é.

O documentário é como um grande vlog do Youtube. São inúmeros vídeos de momentos cotidianos da cantora. A ideia de ser uma produção simples é interessante e conversa com a proposta intimista do novo álbum Joane, mas perde em qualidade de imagem, de fotografia e roteiro. Com certeza, essa era a ideia: chocar. Enquanto todos esperavam uma produção cheia de efeitos, ela queria mostrar sua luta diária contra as fragilidades emocionais e físicas que atrapalham o trabalho e a vida pessoal. Tem emoção e intensidade nesse filme. Exatamente a ideia que Gaga quer passar para os fãs desde o início. Mas agora de cara limpa, sem fantasias.



Dá pra ver que apesar de haver uma galera enorme trabalhando em equipe para o show Lady Gaga, ela é só mais uma de nós. Uma garota batalhadora, com uma voz incrível. É impressionante a quantidade de gente que trabalha nos bastidores para fazer o resultado que conhecemos. Produtores, músicos, maquiadores, fisioterapeutas… Sempre tem alguém correndo atrás dela fazendo algo enquanto ela faz algo.

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É muito fácil desejar ser a Lady Gaga no palco, mas você pagaria o preço que ela paga para subir lá? É louco que a intimidade dela seja tão compartilhada. Não é só porque ela é uma “pessoa pública” (aliás, que expressão louca, né?) e tem 18 milhões de seguidores no Instagram, vai mais além: viver cercada de centenas de pessoas que não têm a menor cerimônia em colar um adesivo nos seios dela deve ser muito estressante.

Ela canta, dança, atua, grava, planeja, regrava, debate, abraça, beija, fotografa… Sonha, almeja, batalha, sofre, cai, levanta, acredita, chora, deseja… Se você ainda tem dúvidas de que uma mulher pode, clique no replay.



Veja o trailer do documentário.

Larissa Rodrigues é desenhista do @be.my.type, internacionalista, mestranda de Relações Internacionais da UEPB. Adora falar de política, espiritualidade e coisinhas que amenizam nossa experiência de vida: filmes, moda, viagens e comida!!!

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