Nova temporada de 13 Reasons Why perde oportunidade de melhorar

13 reasons why

Confesso que fui assistir à segunda temporada de 13 Reasons Why com um misto de dúvida se ela era mesmo necessária e esperança de que as coisas fossem diferentes. A primeira temporada da série sofreu muitas críticas por mostrar de forma explícita a cena do suicídio de Hannah Baker, servindo quase de um manual de como se matar. Porém, ao terminar de ver os novos episódios, constatei que a história tomou um rumo no mínimo discutível.

A continuação da trama se passa meses após o suicídio de Hannah, quando os pais da garota movem um processo para responsabilizar a escola pelo acontecido. Vemos o depoimento de cada um dos personagens principais guiar o rumo dos episódios, e descobrimos muitos detalhes que não foram abordados nas fitas deixadas por Hannah.

Um risco de se criar uma continuação para uma história teoricamente encerrada é que há chance de deixar pontas soltas. Em minha opinião, foi o que aconteceu com 13 Reasons Why. Muitas das descobertas que ficamos sabendo nesta temporada tornam a história um pouco incoerente, considerando que eram importantes demais para não serem abordadas nas fitas.

Um ponto forte é o aprofundamento da história de alguns personagens, como Justin e Jessica. Podemos entender um pouco mais do que passa uma sobrevivente de estupro que precisa conviver diariamente com o agressor nos corredores da escola, e percebemos o quanto o ambiente escolar é tóxico. Também entendemos um pouco dos conflitos de um adolescente viciado em drogas, com uma família completamente desestruturada.



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O tempo todo, a série levanta a questão de se a escola é culpada pelo que aconteceu com Hannah. Fica claro, ao longo dos episódios, que há muito mais questões do que imaginávamos por traz do suicídio da garota e que cada pequeno detalhe pode influenciar uma pessoa psicologicamente abalada.

Porém, o maior erro desta temporada é sem dúvidas insistir em apresentar cenas explícitas de violência física e, principalmente, sexual. Apesar dos criadores de 13 Reasons Why afirmarem que precisamos mostrar o que as vítimas de bullying e estupro passam no dia a dia, a forma como as cenas são apresentadas pode chocar até os mais acostumados à selvageria no cinema. Isso sem contar o que podem fazer a alguém com problemas psicológicos, depressão etc.

A série nos dá vários avisos de que os episódios podem conter gatilhos, além de expor contatos para ajuda psicológica a quem necessitar. Mas como garantir que os avisos vão de fato parar aqueles que não têm condições psicológicas de vê-la? Ainda mais quando os personagens em cena, contraditoriamente, continuam a não conversar sobre os problemas que enfrentam. Me parece uma aposta arriscada de se fazer.

*por Érica Rodrigues

 

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