Crítica: Sete Dias com Marilyn e o que o mundo espera de nós

sete dias com marilyn

Apesar de ser um filme de 2012, que conta uma história de quase sessenta anos atrás, a história é permeada por questões bem atuais. O filme biográfico Sete Dias com Marilyn conta o encontro de Colin Clark (Eddie Redmayne) e Marilyn Monroe (Michelle Williams), nas filmagens de “O Príncipe Encantado”. O jovem Colin sonha em trabalhar na indústria do cinema e consegue emprego num set. Lá convive com duas grandes estrelas do cinema – Sir Laurece Olivier (Kenneth Branagh) e Marilyn Monroe. A história se passa em sete dias em que Colin e Marilyn se aproximaram.

O filme dirigido por Simon Curtis conta com uma fotografia bonita, que parece acompanhar os sentimentos de Marilyn. Quando a atriz está feliz, as imagens são mais ensolaradas, mas escurecem quando ela sofre por suas questões emocionais. Eddie Redmayne, no papel de Colin, faz um bom trabalho, como o jovem ingênuo do interior. No geral, foi uma obra bem dirigida. O roteiro é simples, tornando-o de fácil compreensão. Mas o que incomoda é a personagem de Marilyn.



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Todo mundo sabe que Marilyn foi uma dessas atrizes com muitos casos amorosos e com uma vida pessoal conturbada. Mas me perguntei durante todo o filme se a atuação de Michelle Willams era ruim, ou se ela realmente essa pessoa excêntrica. Considerando que Michelle tenha sido fiel à personalidade de Marilyn, abrimos um novo leque de questionamentos.

Em “Sete Dias com Marilyn” a atriz e modelo norte-americana parece ser uma mulher muito sofrida, pelas feridas do passado. Embora não seja mostrado no filme, ela viveu em orfanatos quando criança e passou por três casamentos. Outro aspecto forte da personagem é que ela sabe usar a sua sensualidade para inflar sua fama. Marilyn não era uma loira burra, como muitos de seus filmes fazem-na parecer. Ela sabia muito bem o que a indústria cinematográfica queria dela e dava isso a eles. Mas fica claro que toda essa exposição e seu sofrimento quando criança a tornaram uma pessoa perturbada pelos fantasmas da depressão, da ansiedade e do vício.

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Colin Clark (Eddie Redmayne) e Marilyn Monroe (Michelle Williams)



Todos esperavam dela mais uma pose sensual. Era uma mulher linda para os padrões de beleza. O cinema só queria que ela continuasse fazendo o papel de “gostosa”, mas dentro daquelas curvas havia mais que isso. Ela era alguém de sentimentos intensos. Apaixonava-se perdidamente, sofria intensamente. Talvez por isso fosse tão cativante. E como é comum essa história, não é? Sermos julgados pela aparência (boa ou má) e pressionados por algo que nem podemos oferecer. Na trama de Simon Curtis, outros personagens passam pelo mesmo drama. O próprio Colin se identifica tanto com a famosa atriz talvez porque sinta a necessidade de responder às expectativas de sua família sobre sua carreira profissional.

E você, faz o que faz para atender às expectativas de quem? Como você seria se não tivesse que caber em rótulos sociais?

 

Por Larissa Rodrigues: desenhista do @be.my.type, internacionalista e mestranda de Relações Internacionais da UEPB. Adora falar de política, espiritualidade e coisinhas que amenizam nossa experiência de vida: filmes, moda, viagens e comida!!!

 

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