Crítica: Bohemian Rhapsody é uma singela homenagem para uma banda complexa

Bohemian Rhapsody

A primeira adaptação cinematográfica do Queen ganhou uma versão com o filme Bohemian Rhapsody, que é simplória e ao mesmo tempo plausível para a retratação e umas das bandas mais revolucionárias do rock n’ roll dos anos 70 e 80. Por ser considerada por muitos e também por eles mesmos uma representação sem gênero que vai além das performances, mas que através da interação carismática com os fãs, consagrou a nova ordem do rock experimentalista e ousado, que reproduz a música além de seus padrões estabelecidos pela indústria. O Queen estabeleceu no cenário musical uma nova maneira de interação ao público com a autenticidade juntamente com seu estilo exótico nos palcos, a representação de ser um símbolo para os desajustados e excluídos que rompe os paradigmas impostos pelas várias vertentes da sociedade.

A trama passa por toda a trajetória artística do grupo, desde os primórdios com a chegada do Freddie Mercury, criação estética adotada e quais conceitos encaixariam sob a perspectiva que era necessária transmitir a identidade sonora do grupo. A interpretação do Rami Malek para o vocalista é indiscutível. Seu porte físico é extremamente semelhante, desde como o Freddie se comportava em palco, com os trejeitos típicos do astro, até a prótese dentária que foi usada para dar maior veracidade à imagem do cantor. Os figurinos por ele adotados em seus shows são retratados com muita verossimilhança. Cada detalhe sob o aspecto visual do Freddie Mercury foi minunciosamente exposto, uma vez que é uma de suas características mais marcantes.



Entretanto, a ambientação dos shows da banda não conseguiu transmitir a efervescência e singularidade exposta nos palcos pelos integrantes ao longo das décadas. O auxílio das facilitações narrativas mostrou com superficialidade a essência eletrizante nos palcos que não fez jus à energia propagada pelo grupo, que é conhecido pelas suas performances históricas. A emoção exposta não foi suficiente para mostrar a real dimensão impressionante exibida em cada show. Porém, as cenas que retratam os momentos da gravação das principais músicas e a do disco ‘A Night At The Opera’, revelando as inspirações, ideologia e o perfeccionismo colocado no icônico álbum de 1975, definitivamente fazem valer a ida ao cinema.

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Foto: divulgação

O enfoque dado para a vida pessoal do Freddie Mercury nos é apresentado através do convívio entre os familiares dele, o relacionamento com a ex-noiva Mary, e a vida de bon vivant em festas demasiadamente exageradas, como um retrato do vazio e a solidão do artista e as consequências advindas dela. Mais uma vez o filme não nos apresenta a carga dramática necessária para o nível de complexidade exigido para a representação de uma das personas mais enigmáticas do mundo da música. Bohemian Rhapsody não chega ao ponto de ser um clássico do cinema atual, mas cumpre sua função em abordar a banda que não aderiu a nenhum rótulo, mesmo que de forma rasa e menos melodramática, os aspectos da personalidade do vocalista de alcance vocal extraordinário, e que devido ao talento soube desfrutar a vida e seus limites com a consolidada banda.

 

*Isabelle Vasconcelos/Estagiária sob supervisão

Foto destaque: divulgação

 

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