Crítica: com Bandersnatch, a Netflix está mudando a forma de consumir filmes

Bandersnatch

A série Black Mirror é com certeza uma das mais provocativas, satíricas, inovadoras produções já feitas, e o novo filme da Netflix Bandersnatch, derivado do universo criado por Charlie Brooker, que é responsável também por roteirizar a produção antológica, não foge a regra de causar catarse sob a realidade em quem está assistindo. O próprio criador já reconheceu que esse projeto tenha sido o mais ousado. “Houve vários momentos durante o processo em que achei que era loucura”, afirmou.

A produção de trabalhos autorais desenvolvidos para o streaming é cada vez maior, podendo-se notar claramente que a Netflix está optando pela quantidade ao invés da qualidade em alguns casos. A proposta do enredo de Bandersnatch traz em si algo nunca feito antes no cinema, agora a pessoa que estiver assistindo ao filme poderá escolher qual será o destino final do protagonista.

No roteiro do longa somos apresentados a Stefan Butler, um jovem programador britânico de 19 anos que resolve adaptar o livro Bandersnatch, do autor Jerome F. Davis, e transformá-lo em um jogo totalmente diferente, que segue a mesma premissa, o jogador terá o poder de escolher os caminhos e decisões do personagem.

Aos poucos são apresentadas de início duas opções simples que devem ser tomadas em dez segundos por quem está assistindo. O filme tem a duração de 1h30, mas dependendo das opções escolhidas o tempo irá aumentar. Obviamente que com o decorrer da história as decisões que aparecem acabam aumentando o teor de complexidade e consequentemente a sanidade do personagem que se encontra cada vez mais imersivo e obcecado em terminar de desenvolver o jogo.



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Foto: Divulgação

O roteiro do filme não é perfeito, com algumas falhas rítmicas ele acaba  sendo um pouco repetitivo em algumas situações, mas é bastante instigante ao colocar em suas mãos o “poder” de escolha com as diretrizes dos indivíduos. Entretanto, a liberdade que o telespectador adquire das alternativas se torna ilusória já que dependendo da opção escolhida o filme/evento acaba te levando para a mesma cena e fazendo com que você escolha a outra possibilidade e te faz seguir algo que não era o esperado.

Em vários momentos o personagem principal se diz estar sendo controlado por algo. Logicamente que esta situação foi pensada propositalmente para que o público exercesse o papel de manipulador e até de vilão. O melhor diálogo no filme exemplifica basicamente o demasiado exercício do poder das instituições sobre os seres, dando o exemplo de que Pac-Man é uma metáfora para isto. O livre arbítrio colocado em questão em Bandersnatch é refletido em diversos segmentos, tanto na ideia do jogo, como na proposta do filme. A ideia ilusória de poder acaba sendo a essência de todo o ocorrido na história e nós sentimos qual a sensação de fazer aquilo que tanto reclamamos na sociedade midiática manipuladora.

Bandersnatch é uma experiência cinematográfica que vale a pena, não é perfeita, mas com certeza a ideia será aprimorada para projetos futuros. Esse é só o começo para uma mudança significativa na forma de como é consumido o cinema atualmente.       

 

Confira o trailer logo abaixo:


 

*Isabelle Vasconcelos/Estagiária sob supervisão

Foto destaque: divulgação

 

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