Filme Selma: Uma Luta Pela Igualdade retrata um Luther King humano

Baseado em um recorte muito específico da vida de Martin Luther King (a sua passagem pela cidade de Selma, no Alabama) este filme nos mostra o que há por trás do ativista. Lutando pelo direito ao voto para os negros daquele estado, o reverendo King, muito bem interpretado por David Oyelowo, revela-se como um homem pragmático e realista, mas também um ser humano como outro qualquer.

O filme nos mostra a tentativa de organizar uma marcha pacífica para denunciar a arbitrariedade que negava o voto à população negra de Selma. De um lado, a família de King parece se despedaçar diante da constante sensação de perigo em que vivem, com ameaças anônimas diárias. Do outro, o reverendo calcula que o governador do Alabama e o xerife de Selma vão abafar com violência os protestos, trazendo mais visibilidade e apoio aos ativistas negros. Assim, em uma corda bamba que parece ser letal para todos os lados, vemos um Martin Luther King além do mito, como um homem que sente medo, que se cansa e por vezes desanima.



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Um dos maiores méritos do filme, em minha opinião, é desmistificar a ideia de que grandes figuras como ele estão sempre inspiradas, com famílias perfeitas e sem nunca vacilar. A visão do mito com fragilidades traz mais empatia ao personagem e nos faz torcer de corpo e alma pelos ativistas desarmados encarando cassetetes e armas de fogo.

No fim do dia, Selma: Uma Luta Pela Igualdade é um filme extremamente atual, mesmo tanto tempo tendo se passado desde os anos 1960. Especialmente se pensarmos que os Estados Unidos passaram recentemente por protestos contra as mortes de jovens negros e no Brasil tivemos uma ativista negra assassinada a sangue frio. Disponível na Netflix, o longa é uma ótima oportunidade de refletir sobre no que ainda podemos evoluir como seres humanos.

 

*por Érica Rodrigues, jornalista formada pela UFPB. Ama escrever sobre cinema, viagem e literatura, além de conversar sobre feminismo em seu canal de Youtube.

 

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Crítica: Assassinato no Expresso do Oriente (2017) “peca” ao modificar personagens

A adaptação de 2017 do livro Assassinato no Expresso do Oriente , de Agatha Christie, em cartaz nos cinemas atualmente, é visualmente linda de se ver! O filme, dirigido por Kenneth Branagh, que também atua como o protagonista Hercule Poirot, retrata a investigação de um assassinato ocorrido dentro de um famoso trem que faz a linha Ásia – Europa.

 

Assista ao vídeo para conferir o que achamos do filme:

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Crítica: Fome de Poder, o filme que todo empreendedor precisa assistir



Afinal de contas, quem são os reais criadores do McDonald’s? Essa é a pergunta que permeia o filme Fome de Poder, ou em inglês “The Founder”. A produção mostra como os irmãos Mac e Dick McDonald’s tiveram a sua ideia praticamente tomada de suas mãos por Ray Kroc, um vendedor de multiprocessadores de milk shakes.

Na história, ao negociar a venda de alguns produtos para lanchonetes, Ray desconfia da veracidade de um pedido vindo de um drive-in na Rota 66. O estabelecimento encomendou oito multiprocessadores de milk shakes, capazes de fazer dezenas de unidades da bebida de uma só vez. Curioso, ele decide ir até lá conferir de perto e acaba se deparando com um modelo de negócio inovador: uma lanchonete com a cozinha modulada que impunha ao giro da hamburgueria um ritmo de produção fordista, tornando o tempo de entrega ínfimo. A partir daí, Ray decide convencer os irmãos McDonald’s, donos do estabelecimento, a lhe deixarem entrar no negócio e expandi-lo com franquias para o país inteiro.

Apesar do enredo não parecer muito inspirador à primeira vista, já que a história de Ray Kroc beira a completa falta de moral, é possível tirar grandes ensinamentos da narrativa. Alguns momentos merecem ser destacados, como a cena em que os irmãos McDonald’s (que inclusive são os personagens mais interessantes do filme) contam como tiveram a ideia do modelo de negócio. Como todo empreendedor, após diversos fracassos e momentos pensando em desistir, eles enfim conseguiram lapidar a ideia e torna-la um sucesso.

Até mesmo do personagem Ray é possível tirar um ensinamento que ele mesmo nos conta mais para o final do filme: a persistência. Depois de empreender por muito tempo no ramo das vendas, sempre de forma malsucedida, ele finalmente consegue o que queria: uma “mina de ouro” que lhe garante dinheiro e, consequentemente, poder. Uma pena que para isso ele tenha escolhido o caminho da desonestidade, “passando a perna” nos reais criadores do negócio.

Fome de Poder não é um clássico da inspiração empreendedora, mas vale a pena ser assistido para entender o que se passa nos bastidores de uma empresa no porte do McDonald’s. E também para aprender com os geniais e, lamentavelmente, azarados irmãos que idealizaram o modelo da rede que perdura até hoje.

 

*por Érica Rodrigues

 

Leia mais – O documentário “Gaga: Five Foot Two” e a verdade sobre Lady Gaga



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Crítica: Sete Dias com Marilyn e o que o mundo espera de nós

Apesar de ser um filme de 2012, que conta uma história de quase sessenta anos atrás, a história é permeada por questões bem atuais. O filme biográfico Sete Dias com Marilyn conta o encontro de Colin Clark (Eddie Redmayne) e Marilyn Monroe (Michelle Williams), nas filmagens de “O Príncipe Encantado”. O jovem Colin sonha em trabalhar na indústria do cinema e consegue emprego num set. Lá convive com duas grandes estrelas do cinema – Sir Laurece Olivier (Kenneth Branagh) e Marilyn Monroe. A história se passa em sete dias em que Colin e Marilyn se aproximaram.

O filme dirigido por Simon Curtis conta com uma fotografia bonita, que parece acompanhar os sentimentos de Marilyn. Quando a atriz está feliz, as imagens são mais ensolaradas, mas escurecem quando ela sofre por suas questões emocionais. Eddie Redmayne, no papel de Colin, faz um bom trabalho, como o jovem ingênuo do interior. No geral, foi uma obra bem dirigida. O roteiro é simples, tornando-o de fácil compreensão. Mas o que incomoda é a personagem de Marilyn.



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Todo mundo sabe que Marilyn foi uma dessas atrizes com muitos casos amorosos e com uma vida pessoal conturbada. Mas me perguntei durante todo o filme se a atuação de Michelle Willams era ruim, ou se ela realmente essa pessoa excêntrica. Considerando que Michelle tenha sido fiel à personalidade de Marilyn, abrimos um novo leque de questionamentos.

Em “Sete Dias com Marilyn” a atriz e modelo norte-americana parece ser uma mulher muito sofrida, pelas feridas do passado. Embora não seja mostrado no filme, ela viveu em orfanatos quando criança e passou por três casamentos. Outro aspecto forte da personagem é que ela sabe usar a sua sensualidade para inflar sua fama. Marilyn não era uma loira burra, como muitos de seus filmes fazem-na parecer. Ela sabia muito bem o que a indústria cinematográfica queria dela e dava isso a eles. Mas fica claro que toda essa exposição e seu sofrimento quando criança a tornaram uma pessoa perturbada pelos fantasmas da depressão, da ansiedade e do vício.

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Colin Clark (Eddie Redmayne) e Marilyn Monroe (Michelle Williams)



Todos esperavam dela mais uma pose sensual. Era uma mulher linda para os padrões de beleza. O cinema só queria que ela continuasse fazendo o papel de “gostosa”, mas dentro daquelas curvas havia mais que isso. Ela era alguém de sentimentos intensos. Apaixonava-se perdidamente, sofria intensamente. Talvez por isso fosse tão cativante. E como é comum essa história, não é? Sermos julgados pela aparência (boa ou má) e pressionados por algo que nem podemos oferecer. Na trama de Simon Curtis, outros personagens passam pelo mesmo drama. O próprio Colin se identifica tanto com a famosa atriz talvez porque sinta a necessidade de responder às expectativas de sua família sobre sua carreira profissional.

E você, faz o que faz para atender às expectativas de quem? Como você seria se não tivesse que caber em rótulos sociais?

 

Por Larissa Rodrigues: desenhista do @be.my.type, internacionalista e mestranda de Relações Internacionais da UEPB. Adora falar de política, espiritualidade e coisinhas que amenizam nossa experiência de vida: filmes, moda, viagens e comida!!!

 

Leia mais – Crítica: vale a pena assistir “O Mínimo para Viver”, da Netflix?

 

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Crítica: o filme Cara Gente Branca é um soco no estômago da sociedade contemporânea

O filme “Cara Gente Branca”, que inspirou a série homônima da Netflix, é um um soco no estômago da sociedade contemporânea. Em tempos de discussões sobre racismo e apropriação cultural, a produção nos mostra que os conflitos raciais estão ainda bem vivos mesmo em instituições de ensino superior.

Quando estudantes brancos da universidade fictícia de Winchester decidem fazer uma festa de Halloween onde as pessoas deveriam se vestir de negros, os conflitos e tensões por muito tempo jogados para debaixo do tapete ficam claros. A festa é uma consequência da vitória de Sam White, militante do movimento negro da universidade, à presidência da irmandade Armstrong/Parker, onde os estudantes negros do campus vivem. Após questionar regras que por muito tempo foram aceitas por todos em silêncio, Sam acaba incomodando aqueles que detém o poder na instituição.


A produção toca em pontos profundamente pertinentes nos dias atuais. Até onde vai a liberdade de expressão e começa o preconceito? A festa retratada no filme foi inspirada em um evento semelhante realizado por estudantes brancos da Universidade da Califórnia, em San Diego. Na ocasião, os organizadores convidaram de forma pejorativa estudantes brancos a se vestirem com “correntes, roupas baratas e dentes de ouro”. Em ambas as festas, real e ficcional, pessoas brancas praticaram o blackface (pintar o rosto para simular ser uma pessoa negra) e usaram fantasias de traficantes, associando a população negra a práticas criminosas.

“Cara Gente Branca” nos mostra de forma satírica que as atitudes muitas vezes impensadas de pessoas brancas, mesmo pequenas, podem ter uma conotação completamente diferente e negativa para a população negra.

 

*Por Érica Rodrigues

 

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Confira o trailer da série homônima da Netflix:



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Crítica: First They Killed My Father e o que realmente importa nessa vida



Larissa Rodrigues*

 

O filme, dirigido por Angelina Jolie, é a perspectiva de Loung Ung (Sareum Srey Moch) sobre o regime do Khmer Rouge, o comando comunista do Camboja durante os anos de 1975 e 1979. First They Killed My Father é também um livro, escrito pela própria Loung Ung, ativista cambojana que conta sua experiência nesses anos difíceis. Na época, ainda era uma criança de 5 anos, quando teve de abandonar a casa, os sonhos e a dignidade e se mudar para um acampamento do Khmer Rouge.

Angelina Jolie tem uma história de ativismo social na Ásia e na África. Nesse trabalho, certamente coroa a sua luta pelos direitos humanos. Depois de Amor Sem Fronteiras (2003), no qual participou como atriz, Angelina tem a oportunidade de dirigir um longa. Colocando seu olhar sobre esse genocídio tão cruel, ela escolhe contar pela ótica de uma criança. Durante quase todo o filme, a câmera filma da altura dos olhos de Loung, a personagem principal. Assim, temos uma visão às vezes confusa, às vezes onírica do que acontece. Refletindo o desamparo da personagem.

Sem muitas explicações, poucas falas, trilha sonora sutil, o filme cria um clima reflexivo sobre o sofrimento dos povos subjugados por regimes autoritários. O Khmer Rouge tinha ideias muito radicais sobre reformas sociais. Suas políticas acabaram matando milhares de pessoas.

A pequena Loung nos lembra que neste momento (não importa a hora que você está lendo isso), há milhares de crianças-soldado e refugiadas de conflitos no mundo. O desamparo estampado na cara da atriz Sareum Srey Moch, representa o rosto atônito do menino sírio vítima de bombardeio, que nem conseguia chorar. Ou ainda o menino refugiado morto na praia. Casos largamente difundidos na mídia.

Hoje, as ideias inflamam as redes sociais e se refletem nas urnas. Ideias cada vez mais radicais, tanto de um lado, quanto de outro. Durante a história, muitas ideias como essas tomaram o poder, espalharam destruição e foram derrubadas. Mas o mal sempre acha um jeito de se reerguer. Tudo isso nos obriga a refletir: o que realmente importa nessa vida?

 

Larissa Rodrigues é desenhista do @be.my.type. Internacionalista, mestranda de Relações Internacionais da UEPB. Adora falar de política, espiritualidade e coisinhas que amenizam nossa experiência de vida: filmes, moda, viagens e comida!!!

 

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Crítica: a sensacional ‘Atypical’, da Netflix, aborda o autismo com delicadeza e um toque de humor

Érica Rodrigues

 

Ao assistir ‘Atypical’, produção da Netflix que entrou para o catálogo recentemente, nos deparamos com a nada comum, porém completamente comum, história de Sam, um garoto autista no último ano do ensino médio. É confuso colocar dessa forma, mas é profundamente real! Apesar dos conflitos do personagem serem muito diferentes da realidade da maioria da população, nos identificamos muito com ele, pois, no auge dos seus 18 anos, tudo o que ele quer é conseguir uma namorada.

Logo no primeiro episódio, é quase impossível se controlar e não “engolir” a série toda em um só dia. O enredo gira em torno da família Gardner, com uma mãe superprotetora e problemática, um pai com dificuldades de diálogo, um filho autista e uma filha que não consegue se abrir emocionalmente.



 

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Impossível não se apaixonar pelas peculiaridades de Sam, o protagonista de ‘Atypical’

 

E precisamos dizer que os personagens são apaixonantes! O melhor amigo de Sam, Zahid, é um alívio cômico sensacional com suas histórias das garotas com quem sai. Incrível a forma como eles não tem aparentemente nada em comum, mas se entendem perfeitamente! Sem falar em Casey, a irmã mais nova do protagonista, que apesar da aparência de durona, faz de tudo para proteger o irmão. O próprio Sam é um caso à parte… dificilmente encontramos um personagem tão diferente que causa tamanha empatia. Impossível não se identificar com os seus problemas com garotas e até entender e apreciar a forma particular com que ele encara o mundo.

A série aposta em um tema pouco falado de uma forma leve, delicada e divertida, sem dramatizar demais nem romantizar a situação. Até aqueles que nunca tiveram contato com o assunto vão entender e torcer pelo literal, gentil e apaixonado por pinguins Sam.



 

Confere o trailer da produção:

 

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