O Conto da Aia, 1984 e A Revolução dos Bichos: três livros que refletem a política atual

Quando a autora de O Conto da Aia, a canadense Margaret Atwood, e o autor britânico George Orwell, responsável por 1984 e A Revolução dos Bichos, lançaram suas obras distópicas, as pessoas da época talvez não deram muita atenção para as temáticas colocadas nos livros. Provavelmente as obras sofreram algum tipo de censura ou alterações quando publicadas, como é o caso de Orwell, ou não tiveram o devido reconhecimento do público em geral, como é o caso de Atwood.

Atualmente os exemplares são vistos como um espelho da realidade política, social e econômica da modernidade e tidos como grandes clássicos cult, quase que obrigatórios quando se precisa entender o funcionamento das diretrizes sociais. Com histórias fictícias, mas que condizem com os atuais modos e conceitos de civilização adotados nesta sociedade evoluída tecnologicamente, porém, intelectualmente obtêm os mesmos preceitos arcaicos e segregacionistas. Abaixo separamos três livros dos autores mencionados que retratam como a política afeta todas as vertentes que o homem está inserido.



 

N’O Conto da Aia, livro da autora canadense lançado em 1985, houve um golpe político nos Estados Unidos, que agora se denomina República de Gilead. O golpe foi orquestrado por um grupo radical fundamentalista que acredita nos dogmas do cristianismo e agora comanda a nova constituição. As poucas mulheres férteis que restam servem apenas para procriar, e após passarem por um processo de reeducação e uma espécie de lavagem cerebral, elas são convocadas para serem as aias que darão filhos aos casais inférteis. As cerimonias para realizar tal feito são realizadas mensalmente em um ato de “estupro humanizado”. Sendo chamadas a partir deste momento de acordo com o nome de seu comandante, como é o caso da personagem principal que originalmente se chamava June, mas agora que perdeu sua identidade, assim como seus direitos, é chamada de Offred, mostrando sua filiação ao chefe da família. Narrado em primeira pessoa, o livro retrata como uma revolução ditatorial pode transformar toda uma estrutura social, como as perdas dos direitos afetarão diretamente as minorias que durante todo o percurso da humanidade lutou para ter. Atualmente com todas as mudanças do cenário político internacional, o livro passa a ter maior relevância em compreender as mudanças que o sistema pode estar fazendo silenciosamente.

 

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Cena da série que adaptou o romance de Margaret Atwood / Foto: divulgação

 

A Revolução dos Bichos, originalmente publicado em 1945, na Inglaterra, é uma fábula crítica ao regime ditatorial da antiga União Soviética, o stalinismo, comandado por Josef Stalin. O livro traz em sua narrativa a ambientação de uma fazenda no interior inglês que está sob os cuidados do Sr. Jones, um velho bêbado e autoritário que cuida de seus animais. Mas, sob outra perspectiva o autor nos mostra o lado de como os bichos lidam com toda essa situação de abuso de sua força de trabalho e resolvem fazer uma revolução reivindicando seus direitos. Toda essa narrativa é familiar para os que gostam de história, porque é justamente essa a premissa do enredo, uma metáfora à luta de classes e a reivindicação do proletariado ao sistema capitalista ocorridas no início do século XIX. Fazendo esta substituição, o leitor conseguirá compreender as entrelinhas e o contexto que o autor pretende inseri-lo. Sendo assim, a narrativa se estende na trajetória dos animais pela luta de território e adoção do sistema animalismo, que coloca os animais em igualdade e na construção de uma sociedade animalesca e autossuficiente, onde a presença dos humanos não é bem vida. Adotando o lema ‘quatro pernas bom, duas pernas ruim’ ou ‘humano bom é humano morto’, os bichos são inseridos cada vez mais nesta sociedade alternativa, porém tal situação não sai exatamente como o planejado, mostrando assim que nenhum corpo social que adote tais medidas consegue se manter imune às tentações do mundo real.



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Foto: divulgação

 

 

1984 traz o retrato político de uma sociedade alienada que vive num sistema opressor onde são forçados a acatar sua atual situação. Publicado em 1949, o livro traz como personagem principal Winston, um membro do partido externo e que trabalha para o governo no departamento da verdade, no qual sua função é reescrever a história e antigos artigos para a manutenção do sistema opressor. Porém, ele é uma das poucas mentes pensantes que ocultamente odeia o partido e ainda acredita que possa acontecer uma revolução que tire o líder Grande Irmão do poder. A população é obrigada a sorrir forçosamente para o enaltecimento da província em uma clara demonstração de patriotismo forçado. Com o controle do superestado nas mãos da classe privilegiada do partido interno e a tirania sob a influência do Grande Irmão, que contém as características clássicas de enaltecimento à sua figura e transmite a imagem de poder sob a população, contribuindo para a perpetuação do totalitarismo. Com o povo colocado em vigilância a todo momento, o autor reafirma seu teor crítico em relação ao posicionamento político exercido sobre a população em alienar e repreender atitudes contrárias ao governo, impondo a censura nos meios de comunicação de massa e a lobotomia experimental desenfreada aos governados.

 

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Foto: divulgação

*Isabelle Vasconcelos/ Estagiária sob supervisão

 

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