Nova série Assédio da Globo trata com sensibilidade sobre estupro

série assédio

A nova série Assédio, da Rede Globo, disponível apenas para assinantes Globo Play, foi escrita por Maria Camargo, Bianca Ramoneda, Fernando Rebello e Pedro de Barros. A obra é livremente inspirada no livro A Clínica: A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih”, de Vicente Vilardaga. O livro conta a história do ex-médico especialista em reprodução assistida que foi condenado a 181 anos de prisão pelo abuso sexual de 56 mulheres, a maioria pacientes de sua clínica.

Na série Assédio, Antonio Calloni é o Dr. Roger Sadala. No auge do sucesso da reprodução assistida, que dava a chance de ter um filho a casais inférteis, o maior especialista dessa área no Brasil era o famoso Dr. Roger. Muitas famílias venderam bens para pagar um tratamento em sua clínica, pois ele parecia ser a última esperança de casais desenganados por outros médicos. Era um “servo de Deus” como ele mesmo dizia.

O problema é que o médico escondia dos holofotes o seu comportamento imoral e criminoso. Envolvidas com a possibilidade de serem mães, as mulheres e seus cônjuges caíam na conversa sedutora de Roger Sadala, que prometia alta probabilidade de sucesso. Durante o tratamento, muitas vezes enquanto as pacientes estavam sedadas, o agressor se aproveitava da fragilidade das mulheres e as estuprava.



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Dirigida por Amora Mautner, a série Assédio teve o cuidado de retratar esses momentos com sutileza. De forma nenhuma essa série é sobre sexo, sobre fetiches, é sobre crimes. Retrata a esperança de casais, a confiança depositada no maior especialista em reprodução do Brasil e, por fim, a dor de mulheres traumatizadas.

Todas as vítimas ficaram marcadas pelo medo após sofrerem essa agressão. Muitas famílias foram destruídas. Além do nojo, da raiva e do pavor, as mulheres precisaram lutar contra o preconceito da sociedade, e até mesmo dos próprios maridos, para levar o estuprador a júri.

De longe, essa foi a melhor abordagem de um tema tão difícil como o estupro que eu já vi. Sem mostrar detalhes nas cenas mais fortes, a fotografia sombria e a trilha sonora fazem o espectador sentir-se sufocado. Não há um apelo sexual nas cenas de estupro, justamente porque não é sexo, é agressão. O que há é a total falta de empatia de Roger Sadala e a angústia de suas vítimas, após o crime. A coisa mais angustiante da série para mim foi a música de abertura, uma música de ninar que remete à técnica usada por Roger (o da ficção e o real) de abusar das pacientes enquanto elas estavam sedadas. Tanto na série, quanto na vida real, foi a força das vítimas que colocou um homem tão poderoso atrás das grades.



 

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Por Larissa Rodrigues: desenhista do @be.my.type, internacionalista e mestranda de Relações Internacionais da UEPB. Adora falar de política, espiritualidade e coisinhas que amenizam nossa experiência de vida: filmes, moda, viagens e comida!!!

 

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