Filme “O Senhor das Moscas” ajuda a entender o Brasil de hoje

O Senhor das Moscas

O filme de 1990 é inspirado no livro de mesmo nome do inglês William Golding, publicado em 1954. O Senhor das Moscas conta a história de um grupo de estudantes pré-adolescentes que sobrevive a um desastre aéreo. Os meninos ficam numa ilha desabitada e selvagem no meio do mar. Com a esperança de serem encontrados cada vez mais longe, eles começam a se organizar para viver ali. Criam um sistema de decisão em conjunto que começa a ruir conforme os interesses divergentes surgem.

O mais interessante é que são crianças que tiveram um contato com a sociedade moderna e agora tentam reproduzir uma organização política. Dá pra ver claramente que dentro das pessoas convive o bem e o mal, numa disputa eterna, com pequenos ganhos e perdas de um lado e do outro. Conforme as necessidades mais básicas falam mais alto, os instintos de sobrevivência dos meninos fazem com que eles briguem até as últimas consequências.



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Existem várias lideranças na história, cada uma com suas características próprias, que servem para algo e para alguém. Tem o mais inteligente, tem o mais carismático, que conquista o apoio dos menores, e tem o mais estrategista. Cada um desses garotos move suas forças para o que acredita, arrastando parte do “povo” com eles. O problema é que logo eles percebem que tem mais liberdade quem tem mais poder. Isso significa submeter os outros aos seus desmandos. O poder é assim: o que faz alguém poderoso é justamente a escravidão dos outros. Ter algo que todo mundo quer/precisa só te faz poderoso se os outros não têm.

Na história é assim com o fogo, por exemplo. Porquinho, o menino gordinho que sofre bullying, usa óculos “fundo de garrafa”. O que antes era motivo de chacota, se torna uma arma poderosa para fazer fogo usando a luz solar. Os óculos só dão poder ao Porquinho porque os outros não o têm. Daí surge a caçada ao poder. Essa caçada é eterna a menos que as pessoas quebrem a concentração do poder nas mãos de um só.



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E o nome do livro/filme vêm do hebraico de Ba’alzevuv, ou Beelzebub, em grego, que significam literalmente “O Senhor das Moscas”. É uma alusão ao belzebu que há dentro de cada um de nós. Mas todo dia é dia de escolher quem nós vamos alimentar, o Deus (bem) ou o belzebu (mal) que nos habita.

Um filme clássico para ver nesses tempos sombrios do Brasil atual. O que é que faz dos poderosos poderosos por aqui? Como podemos amenizar essa caçada sangrenta pelo poder no nosso país?

 

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Por Larissa Rodrigues: desenhista do @be.my.type, internacionalista e mestranda de Relações Internacionais da UEPB. Adora falar de política, espiritualidade e coisinhas que amenizam nossa experiência de vida: filmes, moda, viagens e comida!!!



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