Crítica: Roma, novo filme do Alfonso Cuarón, traz memórias de infância numa obra prima

Roma

Roma é o mais novo filme original da Netflix que é dirigido por Alfonso Cuarón, conhecido por seus trabalhos em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Filhos da Esperança e Gravidade, no qual ganhou o Oscar de melhor diretor. Ou seja, o cineasta mexicano tem ótimos filmes no currículo e Roma acaba de ser a maior obra de sua carreira. O longa que retrata as memórias de infância do Cuarón nos apresenta uma família mexicana de classe média nos anos 70 e também a personagem principal, que é a empregada da casa chamada Cleo.

Mais detalhadamente conhecemos a vida destas pessoas, inicialmente a relação de Sofia, mãe das crianças, e de Cleo é vista claramente como patroa e empregada. Entretanto, após o abandono do marido, que a deixa com os quatro filhos, e a gravidez indesejada da empregada e o imediato abandono de seu namorado, as colocam numa situação de união devido aos acontecimentos.   

O filme é totalmente destoante das características usuais que o diretor costuma realizar em suas obras. Nele temos um longa em preto e branco digital de 65mm, com câmeras mais estabilizadas na horizontal e tracking shots e a intertextualidade do cinema, contrariando o costume de ter grandes cenas gravadas com câmeras na mão. Porém, uma das características como diretor é ter uma visão panorâmica do espaço. Aqui não temos somente a centralização da câmera nos personagens principais, mas também acontecimentos com personagens secundários que elevam a perspectiva do cenário com planos sequência que transitam de um tom para o outro de forma impecável.



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Foto: divulgação

Alfonso não somente dirigiu o filme como também escreveu o roteiro, fez a montagem, a fotografia e todas foram desempenhadas excepcionalmente coerentes ao contexto. Com uma narrativa mais apreciativa e menos expositiva, talvez a obra não seja de agrado para pessoas que preferem histórias com ritmos mais frenéticos e edições mais rápidas. Este longa tem como principal ponto o mundano da vida cotidiana, o que não significa que seja algo entediante. É uma análise poética sobre as circunstâncias da existência e os rumos que a vida toma a partir da escolha alheia que acaba afetando a trajetória dos personagens. Com vários simbolismos imagéticos, a narrativa tem uma subjetividade interpretativa e não há explicações para alguns acontecimentos, mas não atrapalha a ritmo do filme.

A Netflix está tendo desde o começo um crescimento enorme nos conteúdos originais do catálogo e na quantidade de assinantes, dando início a uma nova era e sobre como se consome cinema. Muitos diretores, principalmente os que têm opiniões mais tradicionais, são contra a somente exibição do filme em telas pequenas. É uma questão bastante discutida no meio, com vozes contrárias do naipe de Christopher Nolan, que é contrário a essa ideia. Já por outro lado temos consagrados cineastas como o Martin Scorsese que demonstram maior flexibilidade em ter um material produzido por uma empresa de Streaming. Alfonso Cuarón faz parte deste grupo que acredita na acessibilidade da produção da sétima arte em novas plataformas.

O filme Roma ganhou o Leão de Ouro no Festival de Berlim, teve grande notoriedade no Festival de Veneza e no festival de Toronto, mostrando o reconhecimento da crítica e deixando em aberto mais perguntas sobre o futuro do cinema. Haverá uma maior abertura por parte da banca de júris dos festivais para filmes produzidos de Streaming? Essa flexibilização é uma demonstração clara da perda da essência cinematográfica? Ou a opinião dos críticos e apreciadores de cinema sobre os novos filmes é uma real exposição do elitismo no cinema, em que a popularização e acessibilidade estão fora de questão?

Confira o trailer abaixo

 

*Isabelle Vasconcelos/Estagiária sob supervisão

Foto destaque: divulgação

 

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