Crítica: Pantera Negra, O Filme é a representatividade negra que faltava

Pantera Negra

Quando o Pantera Negra apareceu em Capitão América: Gerra Civil pela primeira vez, acredita-se que pouco se sabia da importância que o personagem teria no futuro da Marvel e também na representatividade que colocaria nos cinemas socialmente falando. O filme dirigido por Ryan Coogler, que teve bastante notoriedade ao dirigir Creed, conseguiu adaptar com maestria essa história que precisava ser contada urgentemente. Não que o seu enredo seja diferente dos outros, muito pelo contrário, a narrativa apresentada traz o que já vimos antes nas telonas. O que deve se colocar em destaque é a relevância que toda a produção do longa ocasionou para as pessoas negras, que em pouquíssimos momentos conseguiram se ver retratadas de forma não estereotipada.

Com o elenco quase que 100% negro, o roteiro do filme basicamente nos mostra a continuidade dos eventos que aconteceram no terceiro filme solo do Capitão América. Após a morte de seu pai, T’Challa retorna a Wakanda para ser coroado rei. Para a cerimônia de coroação são reunidas as cincos tribos que fazem parte de Wakanda, e ele de imediato recebe o apoio de todas elas. Após esse acontecimento, o Pantera Negra juntamente com sua equipe saem a procura de Ulysses Klaue, um criminoso que tem consigo uma quantidade x de vibranium, artefato extremamente valioso e que é simplesmente o responsável por toda a tecnologia de Wakanda.

Como mencionado antes, o roteiro retratado tem a mesma essência dos outros filmes de super heróis, mas vale salientar que não é somente representatividade negra que ganha espaço, mas também a representatividade feminina. Com Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Letitia Wright há aqui a desconstrução dos padrões. Temos uma personagem gênio da tecnologia, uma guerreira militar e uma jovem militante que não almeja grandes riquezas do reino de Wakanda, mas sim prestar serviços e ajudar aqueles que sofrem e são marginalizados. Todas as personagens femininas são exploradas de forma engrandecedora para a narrativa. Suas contribuições não são razoáveis e o peso de suas escolhas tem sim relevância.  



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Foto: Divulgação

Assim como toda história de heróis, é necessário haver o vilão, aquele que será responsável por ser a oposição do protagonista. Aqui somos apresentados a Killmonger, personagem interpretado por Michael B. Jordan, uma persona que irá bater de frente com o Pantera Negra e ainda por cima nos apresenta argumentos sólidos de sua revolta ao reino de Wakanda. Killmonger é um dos poucos vilões que tem camadas, que carrega o peso da perda e da injustiça que foi colocado na sua trajetória. Ele não é superficial e acaba fazendo com que o público entenda seus motivos e suas reivindicações. Todos os personagens retratados têm sempre muito a oferecer, claro que todos de acordo com o contexto. Até mesmo os antagonistas acabam sendo de grande suporte para o enredo e não somente pano de fundo sem fundamento.

Sobre a cinematografia, o diretor Ryan Coogler, que vale salientar tem somente 32 anos, conseguiu acentuar os pontos fortes de T’Challa e toda a ambientação de Wakanda, toda a riqueza e representação. Ficamos imersos no novo mundo apresentado. Nele temos a exaltação da cultura africana, das características primordiais na constituição de uma nação e das raízes de um povo que era sempre colocado em segundo plano ou pouco simbolizado. Há também movimentos de câmeras ousados. O CGI não é perfeito. É possível observar que em algumas cenas, principalmente na luta final, que ele deixa a desejar. A trilha sonora feita por Kendrick Lamar é perfeita ao exemplificar a cultura africana e suas particularidades.

Pantera Negra fez história ao ser o primeiro filme de herói a concorrer ao Oscar. Sua indicação a melhor filme é merecidíssima e a importância que isso traz para o futuro é extremamente significativa. Há uma grande satisfação cultural ao ver o tamanho da representatividade que o longa deu para um filme blockbuster e que foi apreciado por milhares de pessoas em todo o mundo. Essa acessibilidade que o cinema trouxe acaba favorecendo o entretenimento, a cultura e dá visibilidade àqueles que sempre se mantiveram no escuro.    



Confira o trailer:

 

*Isabelle Vasconcelos/Estagiária sob supervisão

Foto: Divulgação

 

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