Crítica: Infiltrado na Klan, o filme que fala sobre racismo sem eufemismo  

Infiltrado Na Klan

Para quem é de João Pessoa, o filme Infiltrado na Klan estará com sessões especiais no Cinepólis do Manaíra Shopping de segunda a sexta, a partir das 19h40, e nos sábados e domingos a partir das 14h.

Infiltrado na Klan é o novo filme do Spike Lee, e pelo título do filme já dá para ter uma grande noção sobre qual segmento a história vai tratar. Apesar de ser um tema bastante complexo de retratar, o diretor do longa consegue equilibrar o tom da narrativa de uma história verídica. No roteiro do filme somos apresentados a um policial negro chamado Ron Stallworth (John David Washington) que tem um plano ambicioso: acabar com os esquemas do maior grupo racista existente, a Ku Klux Klan. Após estabelecer contato com o líder da seita, ele então consegue a permissão do seu superior para colocar a ideia em prática, mas para isso ele terá que achar um homem branco que precise estar presente nas reuniões com os outros membros e para ser assim aceito ao clã.

Spike Lee consegue estabelecer uma ambientação cenográfica perfeita e ao mesmo tempo respeitando sua estilística como diretor. Vale salientar a edição e montagem do filme que ousa no dinamismo. A história se passa nos Estados Unidos nos anos 70, época bastante fervorosa para as pessoas negras que buscavam reivindicações sob a sociedade segregacionista. Período que também teve o auge do movimento Panteras Negras, que conseguiu milhares de devotos, pessoas que foram à luta por igualdade racial e por revolução.



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Foto: Divulgação

Todo esse contexto é pano de fundo para os personagens. De uma lado somos apresentados a um policial que está tentando atrapalhar os planos da Ku Klux Klan com a ajuda de seu parceiro de trabalho Flip Zimmermann (Adam Driver), e de outro temos Patrice (Laura Harrier), uma mulher negra ativista que luta contra o sistema existente, tanto político como também dos policiais brancos que exercem seu poder de oficiais para violentar e denegrir os negros. Com a exposição dessas duas vertentes, há a exemplificação das camadas existentes sobre o mesmo tema.

A adaptação do roteiro é impecável. Nele temos presente o humor negro e o sarcasmo nos diálogos, não é porque o filme fala sobre racismo que ele irá adotar o eufemismo. Aqui as coisas são ditas de forma clara, as cenas que mostram a interação dos membros do grupo estão cheias de diálogos e situações extremamente racistas, e isso pode ser visto não somente nas falas dos personagens, mas também na interpretação dos acontecimentos. A forma como os brancos não suportam os negros, o ódio que eles sentem por dividirem o mesmo país com eles, a felicidade em dizer o quão prazeroso seria exterminar essa raça, a superioridade ariana é extremamente evidente.



Um dos momentos mais emocionantes é quando há a justaposição de duas cenas. De um lado temos um senhorzinho dando seu relato sobre um episódio racista que presenciou, e de outro temos a reunião de todos os membros da organização assistindo, festejando e rindo ao assistir o filme ‘Nascimento de Uma Nação’, considerado o filme mais racista de todos. A função da obra em despertar raiva nas pessoas que assistem a tudo isso é totalmente proposital. O desconforto ao ver cenas de aversão de um grupo sob o outro funciona justamente porque sabemos que é a realidade, não é algo sem fundamento.

O longa recebeu recentemente seis indicações ao Oscar 2019. Vale salientar a injustiça de não terem indicado o John David Washington como Melhor Ator, e se caso sua vitória como Melhor Filme venha acontecer ela definitivamente não será injusta. As cenas finais do longa te pegam de surpresa ao mostrar que ele não é apenas um filme, uma obra fictícia, mas sim uma representação de fatos passados e principalmente do presente.  

Confira o trailer do filme:

 

*Isabelle Vasconcelos/Estagiária sob supervisão

Foto destaque Divulgação

 

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