Homecoming, documentário da Beyoncé, é um manifesto da cultura negra

Homecoming

Quando a Netflix anunciou que iria lançar o documentário Homecoming, sobre o show da Beyoncé no Coachella 2018, muitas gente foi pega de surpresa. Ao mesmo tempo, muitos surtaram com a notícia, até porque estamos falando simplesmente de uma das maiores vozes da música. Homecoming, como foi intitulado o documentário, significa nos Estados Unidos um reencontro com os alunos e amigos da faculdade, e com esta definição Beyoncé nos apresenta uma performance grandiosa de volta aos palcos no Coachella, ao mesmo tempo que nos permite ter uma imersão em toda a trajetória que ela seguiu até o momento da apresentação. Vale ressaltar que ela foi a primeira artista negra a ser atração principal do festival, que existe desde 1999. Anteriormente a ideia era que a cantora se apresentasse na edição de 2017, mas ela acabou descobrindo que estava grávida de gêmeos e teve que adiar o show.

Desde que seguiu carreira solo, após a saída do grupo Destiny’s Child, Beyoncé se tornou um fenômeno. Todas as apresentações feitas, álbuns lançados, turnês ao redor do mundo, lançamentos de clipes de quase todas músicas gravadas foram fortalecendo cada vez mais a sua carreira, a ponto de ganhar 22 Grammys e vários outros prêmios. Com uma carreira consolidada e de respeito no mercado da música, Beyoncé parecia ter alcançado o auge. Entretanto, houve uma leve mudança de tom com o lançamento de Lemonade, um álbum resposta para o infiel marido Jay Z.  A música carro chefe para Lemonade definitivamente foi Formation, um hino moderno para os negros, mostrando o orgulho da artista de seus traços africanos, e um videoclipe com vários simbolismos ao extermínio dos negros nos Estados Unidos. A partir deste momento, podemos ver com mais ênfase a artista unindo sua voz ao movimento negro, acentuando as críticas contra a sociedade e o sistema. Obviamente que ela não abandonou o seu lado pop, ainda escutamos músicas que foram feitas para as pessoas dançarem e curtirem, mas essa leve mudança pôde mostrar um lado da Beyoncé que ainda não estava completamente visível.



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Foto: Divulgação

O show da Beyoncé no Coachella foi crucial para  afirmar a todos que ela é não somente um fenômeno artístico, mas sim um movimento cultural. Homecoming traduz perfeitamente a energia colocada no palco, toda a sincronia com a banda, com os dançarinos e dançarinas, com as backing vocals, tudo foi milimetricamente ensaiado à exaustão. Em vários momentos do documentário é mostrado como foi o processo da cantora voltar à ativa depois de ter dado à luz aos gêmeos, voltando a ensaiar para recuperar o ritmo de antes. A gravidez foi de risco e Beyoncé narra como o seu corpo sofreu durante e após o nascimentos dos filhos, e como isso foi um processo de amadurecimento pessoal. Durante a parte criativa, foram quatro meses de ensaios com os dançarinos, depois mais quatro meses de ensaios com a banda, além de ter três espaços em que os músicos pudessem ensaiar, outro espaço para que os dançarinos também pudessem ensaiar e um terceiro local para a equipe criativa. Conhecida por ser perfeccionista ao extremo, Beyoncé demonstra com clareza que ela coordenava absolutamente tudo que entrava no palco, desde escolha do figurino, dos dançarinos, do setlist, até as marcações no palco, das coreografias. Homecoming foi dirigido, escrito e produzido pela cantora, o que  mostra a versatilidade artística dela.

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Foto: Divulgação

A representatividade colocada no palco é outro fator relevante. Priorizando um time de pessoas negras, de todos os estilos e formas, o show foi um manifesto dos negros para o mundo. Sempre deixando claro que todos que estavam envolvidos na produção, e principalmente para os que estiveram no palco, que era importante a criação de um ambiente libertador e receptivo. “Eu queria que todas as pessoas que já foram discriminadas por causa da sua aparência se sentissem representada naquele palco”, afirma a cantora, que ao longo dos atos da obra colocou frases de estudantes que faziam parte das universidades voltadas para negros. Portanto, Homecoming é a reafirmação da importância que Beyoncé representa para a cultura e para aqueles que sempre necessitavam de alguém para se inspirarem.  



Assista ao trailer logo abaixo:

 

Beyoncé além de ter lançado o documentário, ela também lançou um álbum ao vivo do show! Ele está disponível no Spotify. Só escutar ele logo abaixo!

 

                

*Isabelle Vasconcelos/Estagiária sob supervisão

Foto destaque: Divulgação

 

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