Crítica: Green Book é o exemplo de que mudar de opinião nem sempre é ruim

Green Book

Estamos nos Estados Unidos dos anos 60, período bastante turbulento e fervoroso na América. De um lado temos Guerra Fria, avanços tecnológicos, consumismo, propagandas, american way of life. De outro temos segregação, luta dos direitos civis dos negros, protestos contra as guerras, revolução feminina etc. A época teve inúmeras mudanças e reivindicações no país, e em Green Book temos a representação de um desses temas: o racismo. Aqui somos apresentados a duas figuras totalmente díspares um da outra. Tony Lip é um italiano malandro que trabalha numa casa de show chamada Copacabana, onde é segurança. Também temos o prestigiado pianista Don Shirley, que precisa de um motorista para levá-lo em uma turnê no sul dos Estados Unidos. Ambos com características que não se complementam, com contextos e trejeitos bem distantes, os dois acabam entrando numa viagem de autodescoberta, aprendizado e empatia.  



A história real de uma amizade que nasceu durante um tempo muitíssimo controverso e nem um pouco igualitário acaba despertando o interesse do público ao ver representada uma narrativa que reflete muito o cenário atual da sociedade. Com alguns avanços sim, porém não por completo. O filme acaba sendo uma reafirmação de sua necessidade de explorar mais uma vez nos cinemas a delicada situação da minoria que sempre está em vigente desrespeito e luta constante de seus direitos, os desafios e as desigualdades que ainda estão estruturadas em diversas conjunturas. A inversão de papéis acaba sendo formidável. Temos aqui um branco, pobre, mal educado e sem papas na língua e logo em oposição temos um homem negro, rico, erudito e que se expressa bem. Os protagonistas têm características muito diferentes do que se está acostumado a ver, e tal situação acaba sendo ao longo do enredo nada mais nada menos do que um caminho para a empatia ao próximo.

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Foto: Divulgação

O Viggo Mortensen e Mahershala Ali dão vida a duas figuras complexas. O jeito bruto de Vallelonga resolver as coisas, a falta de refinamento de suas palavras e o jeito falastrão acabam também se tornando pontos de uma pessoa doce que vai se mostrando gentil ao longo da história. O rebuscado jeito do Shirley ao sempre se expressar acaba de certa forma desconstruindo a sua superioridade durante a narrativa. Um homem que não consegue se sentir pertencente de um grupo na sociedade, por ser alguém que carrega um fardo mesmo que não intencional de ser quem ele é. A direção do Peter Farrelly, que foi responsável por Débi e Lóide, não tem muito a ser comentada já que não houve nada de muito diferente, apostando em enquadramento e jogos de câmeras convencionais, nada muito ousado. O destaque definitivamente vai para as atuações, às quais ambas foram indicados ao Oscar deste ano. Tanto o Viggo quanto o Mahershala são os componentes essenciais da história, eles são o fio condutor da narrativa ao apresentar os protagonistas até o momento de catarse deles.

Green Book – O Guia exerce com sucesso a função mais sublime do cinema, que é a de colocar sob a tela uma realidade, tendo em vista que tal premissa mude ou expanda as circunstâncias do observador, colocando-o sob uma perspectiva nova aquela situação. Portanto, o longa é um obra que deve ser apreciada por todos devido à sua sutileza e importância colocadas através da arte.    

 

Assista ao trailer do filme:

  

*Isabelle Vasconcelos/Estagiária sob supervisão

Foto destaque: Divulgação

 

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