Crítica: First They Killed My Father e o que realmente importa nessa vida



Larissa Rodrigues*

 

O filme, dirigido por Angelina Jolie, é a perspectiva de Loung Ung (Sareum Srey Moch) sobre o regime do Khmer Rouge, o comando comunista do Camboja durante os anos de 1975 e 1979. First They Killed My Father é também um livro, escrito pela própria Loung Ung, ativista cambojana que conta sua experiência nesses anos difíceis. Na época, ainda era uma criança de 5 anos, quando teve de abandonar a casa, os sonhos e a dignidade e se mudar para um acampamento do Khmer Rouge.

Angelina Jolie tem uma história de ativismo social na Ásia e na África. Nesse trabalho, certamente coroa a sua luta pelos direitos humanos. Depois de Amor Sem Fronteiras (2003), no qual participou como atriz, Angelina tem a oportunidade de dirigir um longa. Colocando seu olhar sobre esse genocídio tão cruel, ela escolhe contar pela ótica de uma criança. Durante quase todo o filme, a câmera filma da altura dos olhos de Loung, a personagem principal. Assim, temos uma visão às vezes confusa, às vezes onírica do que acontece. Refletindo o desamparo da personagem.

Sem muitas explicações, poucas falas, trilha sonora sutil, o filme cria um clima reflexivo sobre o sofrimento dos povos subjugados por regimes autoritários. O Khmer Rouge tinha ideias muito radicais sobre reformas sociais. Suas políticas acabaram matando milhares de pessoas.

A pequena Loung nos lembra que neste momento (não importa a hora que você está lendo isso), há milhares de crianças-soldado e refugiadas de conflitos no mundo. O desamparo estampado na cara da atriz Sareum Srey Moch, representa o rosto atônito do menino sírio vítima de bombardeio, que nem conseguia chorar. Ou ainda o menino refugiado morto na praia. Casos largamente difundidos na mídia.

Hoje, as ideias inflamam as redes sociais e se refletem nas urnas. Ideias cada vez mais radicais, tanto de um lado, quanto de outro. Durante a história, muitas ideias como essas tomaram o poder, espalharam destruição e foram derrubadas. Mas o mal sempre acha um jeito de se reerguer. Tudo isso nos obriga a refletir: o que realmente importa nessa vida?

 

Larissa Rodrigues é desenhista do @be.my.type. Internacionalista, mestranda de Relações Internacionais da UEPB. Adora falar de política, espiritualidade e coisinhas que amenizam nossa experiência de vida: filmes, moda, viagens e comida!!!

 

Gostou do conteúdo? Então não esquece de ativar as notificações no sininho, no canto inferior da tela do desktop!

Aproveita e segue a gente no nosso Instagram e Facebook para ver o conteúdo que postamos por lá! <3

Deixe seu comentário!
%d blogueiros gostam disto: