Crítica: Bird Box traz uma adaptação que não faz jus ao prometido

Bird Box

O filme Bird Box, nova adaptação da Netflix, conseguiu chamar a atenção do público pelo enredo diferenciado que traz no suspense a possibilidade de você olhar diretamente para a criatura desconhecida que traz tanto medo e desgraça. Na sinopse temos Malorie, uma artista plástica que está grávida e em pouco tempo se encontra em um apocalipse, onde as pessoas estão se matando após verem diante de seus olhos algo transmitido através da criatura, que as fazem tirar a própria vida ou ficarem loucas. Em meio ao caos a protagonista consegue adentrar em uma casa com pessoas que estão tentando sobreviver diante tudo aquilo que está acontecendo. A partir daí começa todo o processo de sobrevivência ao sobrenatural e a convivência em grupo com pessoas de diferentes personalidades tentando sobreviver diante do mundo caótico.

A produção é uma adaptação ao livro de mesmo nome do autor Josh Malerman (Caixa de Pássaros na edição brasileira) e foi um sucesso imediato na plataforma de streaming, sendo considerado o filme original da Netflix que mais foi assistido na semana de estreia, com 45 milhões de visualizações. Entretanto, mesmo o longa fazendo bastante sucesso nas redes sociais e rendendo muitos assuntos para memes, a narrativa da obra não consegue trazer uma ambientação de qualidade para o cenário. O filme não consegue transmitir a real dimensão do horror dos personagens diante da realidade. Com exceção de Sandra Bullock, Sarah Paulson e Trevante Rhodes, todo o restante do elenco traz atuações mornas e sem dramaticidade autêntica. O suspense criado para demonstrar o medo de toda a situação e a dos envolvidos não convence e não traz a importância e risco da vida de todos. As situações de perigo acabam sendo resolvidas ou acabadas de forma clichê, com algum personagem fazendo algo que já vimos antes no cinema.


bird-box-1.1
Fotos: divulgação

Diferentemente de Um Lugar Silencioso, onde também se usa do recurso da falta de um dos sentidos e consegue excepcionalmente bem transmitir o medo dos personagens que ficam em situações agoniantes, Bird Box não consegue harmonizar todas as situações e criar momentos de tensão e apavoramento. As cores utilizadas nas imagens contradizem a essência do contexto explanado, o que contribui para a não imersão das pessoas que estão assistindo. Além disso, a fotografia fica apenas no básico, mas esse não é o problema principal, e sim algo que poderia contribuir significativamente para a narrativa. A complicação real do longa é que, mesmo adaptando fielmente o livro, o filme não consegue transmitir genuinamente o horror que é se viver naquele estado, tornando-o apenas mais um filme de terror sem grandes filosofias por trás, que prometeu muito, mas que no final não mostrou nada de diferente ou significativo.

*Isabelle Vasconcelos | Estagiária sob supervisão

 

Leia também: Crítica: Roma, novo filme do Alfonso Cuarón, traz memórias de infância numa obra prima



Gostou do conteúdo? Então não esquece de ativar as notificações no sininho, no canto inferior da tela do desktop!

Aproveita e segue a gente no nosso Instagram e Facebook para ver o conteúdo que postamos por lá! <3

 

Deixe seu comentário!
%d blogueiros gostam disto: