Conheça a Banda-Fôrra, os paraibanos que vão do “Índio Rock” à MPB

Banda-Fôrra

Surgida a partir da inquietação de se estar no palco, a Banda-Fôrra é formada por Guga Limeira nos vocais, Matteo Ciacci no Baixo, Ernani Sá na guitarra, Lucas Benjamin na bateria e Hugo Limeira na guitarra. O grupo iniciou uma trajetória muito parecida com a outras bandas clássicas que começaram a se formar: a partir de um sonho adolescente de ensino médio que despertou nos então integrantes do grupo o desejo de transmitir algo pelo viés da arte, mesmo que precocemente.

O prelúdio de iniciação artística da banda se deu a partir de um projeto na cidade de João Pessoa em que cantavam músicas de Caetano Veloso, nos dando um vislumbre da orientação musical que viriam a seguir. A evolução de se tornarem performáticos se deu através da prática dos shows iniciais e do conhecimento cultural adquirido, que era transmitido quase que naturalmente, mesmo não tendo à época um trabalho autoral para ser apresentado ao público.

Porém, em 2014 houve maiores investimentos para a criação de um repertório feito a partir de produções próprias. Então, de forma independente, em um estúdio no Centro Histórico da cidade, fez-se florescer a montagem dos primeiros shows e das músicas do primeiro EP.

Na entrevista que fizemos com o vocalista, perguntamos sobre o significado do nome da banda, e sua resposta é quase que didática ao explicar a singularidade da definição. “ Trata-se de um verbete do português arcaico que servia para designar filhos de escravas com pais brancos. O significado da palavra Banda é para designar metade e Fôrra vem de alforria. Eram pessoas que nasciam com status legal de ‘meio livre’, literalmente. Alguns tinham que trabalhar para comprar a outra metade do seu corpo que não lhe pertencia”, afirmou.

É perceptível a necessidade de mostrar o quão forte é a conexão com a história sociocultural brasileira e que através desta inspiração conseguem expressar com veracidade sonora o que está vinculado à essência poética do grupo. Isso acaba refletindo metaforicamente as diferentes vertentes dos integrantes com as mais variadas influências e bagagens musicais.

BANDA-FÔRRA-2.2

A multipluralidade é o que sustenta e reflete as influências artísticas da banda, que não vêm somente da música, mas também da literatura e poesia que servem de inspiração no processo criativo. Outro modelo do mundo da arte que guia as diretrizes do grupo em um panorama geral é o movimento musical brasileiro da década de 70, o Tropicalismo, que juntou das mais variadas estéticas numa manifestação cultural do pop nacional.  No âmbito internacional, figuram influências como a clássica banda The Beatles, e também as músicas experimentais internacionais como o Tame Impala. Guga Limeira salienta que os artistas locais, chamados carinhosamente por ele de “guerreiros da canção”, também estão entre as sonoridades que geram influência ao material produzido pela Banda-fôrra.

Quando questionado sobre qual seria a identificação sonora e visual da banda, de forma sucinta esclareceu que não há nenhuma atribuição, não há enquadramentos, são como uma tela em branco que absorve todas as cores que lhes são lançadas. Quando autodefinem sua estética e sonoridade, eles apropriam-se do termo “Índio Rock”, trocadilho usado para engrandecer a imagem versátil e independente sonoramente, mas com total apego às origens da brasilidade em sua representação.

O grupo já chegou a ser chamado de “a Radiohead brasileira” pelo jornalista Lúcio Ribeiro, do site Popload, mas quando tocamos no assunto a resposta vem carregada de simplicidade. A modéstia colocada por eles frente à comparação com o estilo musical da banda norte americana Radiohead denuncia a humildade do grupo. Porém, tal associação tão honrosa acrescenta mais uma característica às diversas facetas da banda.



Quando indagado sobre a indústria local, o vocalista ressaltou que “apesar de ser uma cidade pequena, João Pessoa tem público para tudo”, desmistificando a visão unilateral dos gêneros musicais presentes na capital. O forró é característico daqui e muito consumido, entretanto a pluralidade musical presente na cidade acaba agregando as diversas tribos existentes, anulando a contraposição dos estilos da banda e do forró.

Sobre o álbum autoral, Guga Limeira comenta: “ Trilha foi um disco de parto longo, difícil, diferente do nosso EP de 2015”. O trabalho autoral traz no nome algo que remete ao longo percurso que obtiveram na preparação da obra e de todos os processos envolvidos nele. Ele é descrito como um repertório solar, característica que resume bem a linguagem a ser expressada.

Com um clipe da música do disco lançado este ano, ‘Apego’ é a exemplificação da marca do grupo, que de uma maneira conceitual transmite uma visão singular sobre os sentimentos e as pessoas, destrinchando a complexidade comum entre os indivíduos, colocando-as de forma poética.

 

Confira o clipe da música Apego:

 

A banda também possui um projeto no bar Recanto da Cevada, que está em sua segunda temporada. A ideia consiste na participação de músicos com grande renome no cenário atual independente da música paraibana, como a banda Os Fulanos, a cantora Nathalia Bellar, Chico Limeira, Seu Pereira, dentre outros. Com apresentações intimistas, eles tocam o repertório do convidado com uma roupagem mais limpa, mais agregadora.

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Escute o disco deles disponível no Spotify e no Youtube:



*Isabelle Vasconcelos/Estagiária sob supervisão

Fotos: Dani L.

 

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