A tragédia do Museu Nacional: queimou em poucas horas a história de milênios

museu nacional

O incêndio do Museu Nacional não foi um acidente. É o resultado de anos de negligência da cultura, da ciência e da educação no país, não só por parte dos governantes, mas também da população. Não é o caso de todos os brasileiros individualmente, mas da sociedade como um todo. Quando não investigamos a fundo as propostas dos candidatos, quando não valorizamos o trabalho de cientistas, quando achamos que o governo gasta demais com esses museus… Cada vez que se ignora a importância de um acervo como esse, uma tragédia como essa se anuncia, na forma de descaso e falta de manutenção.

O Museu Nacional não custava uma fortuna aos cofres públicos. Só em 2018, foram R$ 268,4 mil. Isso representa o equivalente a 15 minutos dos gastos com o Congresso Nacional. A instituição era gerenciada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que viu o orçamento cair nos últimos 5 anos, pela metade. Não era apenas um local turístico, mas um espaço de promoção e manutenção de pesquisas científicas. Havia 6 cursos de pós-graduação (stricto sensu – mestrado e doutorado) funcionando no local: Antropologia Social, Arqueologia, Botânica, Linguística e Línguas Indígenas, Zoologia e Geociências. Também eram ministrados 3 cursos de pós-graduação (lato sensu – especialização): Geologia do Quaternário, Gramática Gerativa e Estudos de Cognição e Línguas Indígenas Brasileiras.



luzia

Não era só velharia, como falou-se nas redes sociais. Achados importantíssimos que contam a história do Brasil e do mundo estavam lá. Foram embora para nunca mais voltar! Embaixo da terra, o crânio de Luzia, por exemplo, o fóssil humano mais antigo já encontrado no continente americano, sobreviveu quase 13 mil anos à ação da natureza. Mas bastaram alguns anos de negligência e algumas horas de fogo para acabar com esse patrimônio inestimável.

Objetos indígenas brasileiros, artefatos arqueológicos, múmias egípcias, insetos raros, são apenas alguns exemplos de vítimas do desprezo nacional ao conhecimento. O país onde um voto vale uma dentadura ou um cargo público não dá valor ao passado e parece que não merece um futuro.

O incêndio do dia 2 de setembro representa o estado sofrível da educação, da cultura e da ciência brasileiras. Em meio à crise, o país corta pela raiz os investimentos naquilo que poderia nos reerguer.

 

Leia mais Destino nas férias: Águas para mergulhar e flutuar pelo Brasil



Por Larissa Rodrigues: desenhista do @be.my.type, internacionalista e mestranda de Relações Internacionais da UEPB. Adora falar de política, espiritualidade e coisinhas que amenizam nossa experiência de vida: filmes, moda, viagens e comida!!!

 

Gostou do conteúdo? Então não esquece de ativar as notificações no sininho, no canto inferior da tela do desktop!

Aproveita e segue a gente no nosso Instagram e Facebook para ver o conteúdo que postamos por lá! <3

 

 

%d blogueiros gostam disto: